GÍRIA E DIVERSIDADE SEXUAL: DO SEGREDO AO RISO?
Nilton Tadeu de Queiroz Alonso (PUC-SP)



Com o objetivo de analisar o emprego do vocábulo gírio pelos falantes que integram o grupo da diversidade sexual paulistana e que frequentam as regiões do Centro e dos Jardins, propomos, numa perspectiva descritivo-analítica e com o embasamento teórico da Sociolinguística (Preti, 2006, 2003, 1984) e da Análise Crítica do Discurso (Fairclough, 2001), centrar-nos no estabelecimento de relações entre o sentido criptológico do signo de grupo e o riso, enquanto efeito de sentido produzido pelo emprego da gíria. Para tanto, num percurso metodológico indutivo-dedutivo, começamos pelo registro do uso em situações de fala, verificamos, conforme noções da Análise da Conversação (Silva, 2008, 2003), as implicações entre formas de chamamento no contexto da diversidade, papéis e estereótipos sexuais e descortesia verbal. Para discutirmos o sentido criptológico atribuído a um signo linguístico, recorremos a noções da Semântica (Ullmann, 1952, 1957, 1962) e da Semântica Cognitiva (Lakoff & Johnson, 2002), em especial, às implicações da metáfora nos processos de construção e atribuição de sentidos. Concluindo o percurso de análise do vocábulo gírio, no contexto da diversidade sexual, questionamos se o riso (Bergson, 2007; Propp, 1992; Charaudeau, 2006) pode ser considerado um efeito de sentido.