PROBLEMAS E IMPLICAÇÕES NO ENSINO DA COORDENAÇÃO: UMA ABORDAGEM NEM SEMPRE DIDÁTICA
Maria Helena Silva de Souza Vichi (UBM/RJ)

O objetivo deste trabalho é analisar a abordagem do tema coordenação nos livros didáticos de 8ª série (9º ano de escolaridade), nos quais o assunto é visto mais detalhadamente. A maioria dos autores limita-se a um enfoque dos conectores e não se refere ao estabelecimento de relações de coordenação entre frases, parágrafos e outras partes do texto, como se a coordenação fosse privilégio de um período formado por duas orações em que uma se relaciona à outra por intermédio do conectivo. Serão adotados, nesta análise, cinco livros de autores diferentes. O que se pretende é apontar os problemas detectados no tratamento de um assunto tão complexo que não se limita ao domínio da oração. O desejo de abordar o assunto surgiu da necessidade de se buscar compreender por que os alunos, mesmo estudando enfadonhamente as conjunções, cada vez menos, conseguem redigir textos coesos e significativos, pois não empregam os conectivos nas suas produções escritas, adequando-os à situação de comunicação. Em virtude desta constatação decorrente do trabalho em sala de aula e da observação dos textos dos alunos, faz-se necessário investigar como os livros didáticos tratam a coordenação e suas implicações. Tal análise, que busca demonstrar que o processo de coordenação se sobrepõe aos limites da sintaxe, tem como suporte teórico os estudos de Mário Perini (2001), José Carlos de Azeredo (1990/2000), Flávia Carone (2001) e Evanildo Bechara (2001), entre outros.